quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Eu escolhi me proteger

 E mais uma vez a publicidade dá as caras no Chatas. Depois da propaganda machista apontada aqui por Jussara Jardim, é a vez da mídia cristã. 


Mesmo com pouco tempo de atividade, o ministério Eu Escolhi Esperar já mobilizou mais de 20 mil pessoas no twitter, e em cultos e palestras nas cidades brasileiras. A ideia central é incentivar o sexo apenas depois do casamento entre os jovens cristãos. Com a ideia da “escolha” no próprio slogan, não se pode negar que o conceito de liberdade está presente. O movimento é forte, prova disso é que vem ganhando cada vez mais adeptos, o que, claro, não significa que estes sejam mais dignos dos que os que escolheram aproveitar o agora. Até aí a campanha se legitima pela liberdade do jovem fazer o que quiser do próprio corpo. O que preocupa, a cristãos e não-cristãos, é a veiculação de campanha de sexo seguro após o casamento, dispensando o uso de preservativos.

Imagens como as mostradas aqui se aliam a frases como “Deus inventou o sexo seguro e o nome dele é casamento”. Não, meus caros, o nome é preservativo, e não, ele também não caiu do céu. O cartaz chamou a atenção de profissionais da saúde por ser considerado uma desconstrução de todo esforço de conscientização do uso do preservativo, que se faz de fundamental importância, e é hoje uma questão de saúde pública. 

Deus inventou o sexo seguro e o nome dele é casamento

O pensamento de que não se contrai DST’s dentro do casamento além de errôneo, é infelizmente bastante comum, visto o aumento desses casos entre pessoas casadas. Um estudo da Escola de Enfermagem da UFRJ, por exemplo, revela que a contaminação por HPV, vírus que pode levar ao câncer de colo de útero, é maior entre casadas do que solteiras. Entretanto, muitos casados têm receio de pedir o uso da camisinha por medo de ser acusado de infidelidade, e negligenciam o risco à própria vida. As autoras do estudo também ponderam: a DST pode ser fruto de um relacionamento antigo. O vírus pode permanecer anos adormecido antes de se manifestar. Fazer questão do uso de preservativo não é desconfiança, é cuidado, consigo e com outro.

Ainda no movimento Eu Escolhi Esperar, há a delicada questão da coisificação do sexo, tratado como um presente de natal para quem foi “um bom menino”, encontramos o seguinte comentário: 
Meu querido irmão, será que a sua esposa, na grande noite da vida de vocês, terá que fingir uma expressão de surpresa? Pois o grande presente já está “usado” e com um valor muito menor do que ele deveria ter? 
Querido irmão, sexo entre um casal não é objeto que se possa ser usado. Não é como um carro 0 km ou um semi-novo, que já perdeu valor pelo uso. Afinal, o presente da noite de núpcias é um simples rompimento de membrana? O laço de estar com a pessoa escolhida ao lado não importa? 

Segundo o Pr Nelson Júnior, próprio fundador do ministério, “A decisão de esperar é uma escolha voluntária e não pode ser fruto de uma pressão.” Nenhuma autoridade religiosa é melhor guia que sua consciência. Casado, solteiro, unido, cristão, ateu, hetero, homo, bi, trans... escolha o que melhor lhe convém, mas escolha acima de tudo a segurança.


Com colaboração de Leticia Messias.

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