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sexta-feira, 14 de junho de 2013

"Não" à amputação da dignidade

Nesse 13 de junho, começo a sentir um pesar sorridente. Uma vontade de pular da janela desse mundo que anda por caminhos tão tortos que dão ânsia de vômito. Uma alegria ao ver a vontade dos passageiros de tirar-lhe as rodas; ao ouvir os gritos de “não” ao enjôo controlado; ao desejo geral de se encontrar uma direção que ao invés de náusea traga regozijo, satisfação.

Falo das manifestações que se alastraram por grandes cidades do meu país. Falo de um 13 de junho significativo pela vontade nacional de fazer mudar. Uma quinta-feira comum em que, em jorros, dissemos “não” à situação de atrocidade. “Não” a medidas controlativas que apenas nos dopam e tentam abafar que tudo a nossa volta roda e nada além do vômito faz sentido. “Não” ao autoritarismo que se esconde por trás de nomes bonitos como “democracia”. Dissemos “não” a essa trilha disparate que não nos leva a lugar algum. Dissemos todos, finalmente, “ não”. À amputação da dignidade.


Dizem que os atos não dão em coisa alguma. Hostilizam. Manifestam-se a favor da acomodação e da total submissão à ordem – Ordem, essa, disciplinar e limitadora aos subjugados, para que no fim aconteça o Progresso aos subjugantes. Lastimo, mas não tomo a pílula do conformismo. Vomito, grito e digo “não”.  Não admito 20 centavos. Não admito truculência. Não admito que minha cidade – meu país, meu mundo – sejam aos poucos cenário do assassinato da humanidade.  



Av. Rio Branco, no Centro do Rio de Janeiro, durante manifestação nesse 13 de junho. Foto de Rodrigo Mariano


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Movimento é sexy... e só.


(Foto: AFP/ Joel Saget)



Quando o Chatas nasceu, no dia 8 de março de 2012, reconhecemos que cada uma de nós que aqui vos escreve éramos diferentes, seja nas ideias ou nos objetivos de vida. O que havia em comum era uma indignação pulsante com o enquadramento de conduta que nos era imposto pelo simples fatos de sermos mulheres, e uma vontade imensa de escrever com liberdade.

E assim foi, e é ainda: liberdade de tema e posicionamento de opinião de quem escreve; liberdade de comentários de vocês, leitores assíduos ou esporádicos; e liberdade ideológica também. Independente do pensamento de cada chata, o blog como um todo não tem posição partidária, nem tendência política definida, o que também nos liberta de muitas amarras.  Assim também é em relação aos diversos grupos e coletivos feministas, muitos dos quais apoiamos e divulgamos, embora não façamos parte.

Acontece que essa tal imparcialidade serviu durante muito tempo como desculpa para o meu silêncio. Quando via notícias de grupos e ações questionáveis dentro do movimento feminista, era mais fácil pensar “ok, não tem nada a ver comigo”. Usei do mesmo artifício para não me ofender com as piadas sobre esses protestos, feitas até mesmo por amigos, volta e meia acompanhadas pela máxima “ué, mas você não é feminista?”.

Sim, eu sou feminista. E isso faz recair sobre mim uma responsabilidade, não um estereótipo. Somos um movimento de cabeças pensantes, portanto também discordantes em alguns aspectos. Mas o que eu aprendi é que a partir do momento em que me declaro (ou, no caso, o blog) feminista, acabo tendo que responder por atitudes diversas, e muitas vezes arcar com generalizações. A partir daí, sim, omitir-se é concordar, e opinar é deixar claro nosso posicionamento, e também ensejar discussões, o que é ainda melhor!

 Foi o que aconteceu quando vi a notícia Feministas festejam a renúncia do Papa com seios à mostra em Paris, fato que se deu dentro da catedral de Notre-Dame. Dentre as várias repercussões da renúncia do Papa Bento XVI, essa foi a que mais me surpreendeu, não pelo choque social do protesto (até porque o choque é eficaz e necessário), mas pela total falta de sentido. O grupo Femen, já velho conhecido da mídia e com central recém instalada na França, é um dos que mais me causam a sensação de não estar sendo representada, por ter como principal característica as ações vazias de cunho ideológico ou preparação política. Seleciona-se mulheres no padrão de beleza vigente para ir a ocasiões diversas, mostrar os seios, gritar, se jogar no chão e espernear enquanto são levadas pelos policiais (estes últimos passos, inclusive, fazem parte do “treinamento” para fazer parte do grupo).

O protesto, para turistas e fiéis foi considerado um desrespeito desnecessário. Para mim, que não sou nem um, nem outro, foi exatamente a mesma coisa. Desrespeito porque não cabe se valer da histórica opressão da Igreja para justificar ações assim. Igreja esta que também desrespeita tanto outras religiões quanto a escolha por não praticar uma religião, mas faço disso um ponto crucial pra enfatizar: o movimento não é revanchista, mas simplesmente humanista. Desnecessário porque hoje os dogmas opressores do catolicismo só se legitima para quem segue a religião. Não estou negando, por óbvio, que a influência desses dogmas estejam institucionalizados pelo sistema jurídico de países como a França e o Brasil, fortemente influenciados pelo Direito Canônico. Mas esta é, e deve ser, uma briga por um Estado verdadeiramente laico, e não uma briga com o Papa.

É por isso motivo que lembrei de um outro protesto, em uma outra igreja, em um outro país, com o qual eu concordei e achei legítimo. Em 21 de fevereiro, três integrantes da banda punk Pussy Riot cantou uma “oração punk” na Catedral do Cristo Salvador, principal igreja de Moscou, protestando contra o presidente Vladmir Putin e seus laços com lideranças da Igreja Ortodoxa Russa (laços condenáveis pela própria constituição do país). O grupo já vinha questionando a política autoritária de Putin, apoiada pelos religiosos. Autoritarismo confirmado durante e após o processo. Elas ficaram cinco meses detidas antes do julgamento, quando duas delas foram condenadas a dois anos de prisão (o que segundo a anistia internacional, poderia ser convertido em multa).

Os dois protestos, dentro de um templo cristão, chocaram. Mas seus efeitos foram diferentes. O choque é um recurso de protesto necessário. As conquistas de igualdade e democracia que tivemos não ocorreram através de um “por favor, senhor, será que poderíamos, se não for muito incômodo, ser livres e iguais perante a lei?”. Não à toa, as integrantes do Femen, lindas e esbeltas, saíram nas páginas dos jornais sim... e só. Já a oração das Pussy Riot ainda ecoa na Rússia, e também na opinião internacional sobre o governo Putin. O propósito de um protesto deve estar firme, e muito bem pintado na cabeça dos ativistas, antes de ir pro cartaz.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Liberté, égalité et fraternité. Ou não?

Na manhã de hoje, estampando a capa de alguns dos jornais de maior circulação do país estão notícias sobre as manifestações que aconteceram esse domingo a respeito do casamento e da adoção de crianças por casais homossexuais. Chama a atenção na capa da "Folha de São Paulo" a imagem da multidão que se reunia embaixo da Torre Eiffel para se posicionar contra o projeto de lei do presidente François Hollande para legalizar não só o casamento civil de casais homossexuais, como ainda permitir que esses mesmos casais possam ter acesso à adoção, projeto que deve ser votado no fim desse mês. Segundo o governo, a multidão somava 340 mil pessoas, mas os organizadores do protesto afirmam que o número chegou a 1 milhão. Embora volumosa, a multidão não expressa a opinião da maioria da população francesa, da qual 56% apoia a união de casais homossexuais e 50% a adoção. No mesmo dia, quatro ativistas do grupo Femen tiraram suas roupas durante a missa dominical do Papa no Vaticano para protestar contra o posicionamento do líder da Igreja Católica contra o casamento homossexual, imagem que estampa a capa do jornal "Correio Brasiliense".

Esse impasse representa a resistência de alguns grupos da população em aceitar que alguns direitos civis sejam estendidos à totalidade da população. Quão irônico assistir tal cena no lar da mais famosa revolução de nossa era. É impossível pensar em França e não pensar no estandarte da Revolução Francesa. E é sob esse mesmo estandarte, sob o vermelho, azul e branco da bandeira francesa que os manifestantes contra a união homossexual lançam seu apelo, tão pouco condizente com seu significado original de liberdade, igualdade e fraternidade. Porque esses três princípios fundadores da França moderna, e de toda a sociedade ocidental, parecem tão ofensivos a uma parcela conservadora tão grande da população?

Todo o pensamento ocidental moderno se baseou nesses três princípios básicos da dignidade humana, mas sua plenitude tem dificuldade de ser reconhecida ainda hoje. Assim entendemos o protesto na França, assim entendemos o duro posicionamento de alguns estratos políticos brasileiros, que marcam sua posição no Congresso Nacional. Negar o reconhecimento do direito de casais homoafetivos a constituir uma família, sobre as bases legais do Estado é negar a cidadania plena a uma parcela da população historicamente já tão privada de sua liberdade. A luta pela reversão dessa situação não corre apenas nas esferas legais (longe disso), mas em toda a sociedade. Mas é por meio de leis que tais conquistas podem ser concretizadas, e é por meio da afirmação de direitos básicos através da letra escrita da legislação que se pode esperar uma mudança de postura, ao acabar com a institucionalização do preconceito.

Está marcada para o dia 27 de janeiro uma manifestação em Paris para apoiar o projeto do presidente. Enquanto isso, o governo afirma que manterá sua posição, e não fará um referendo para decidir a questão. Afinal, democracia não é o único princípio que rege nossa sociedade, e nunca deve ser usada como desculpa para permitir que uma maioria prive de sua cidadania algum grupo.
Estamos aqui torcendo para que, uma vez mais, liberté, égalité e fraternité não sejam só mais um discurso comovente.


Obs.: Dá pra ler a matéria da Folha de São Paulo nesse link http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/88539-marcha-contra-casamento-gay-toma-paris.shtml

sábado, 18 de agosto de 2012

Vox populi


   No ano de 2012 há 2.913.627 jovens entre 16 e 18 anos que podem votar nas eleições, menos que em 2008 quando eram  2.923.485 adolescentes, são dados do alistamento eleitoral, feito pelo Supremo Tribunal Eleitoral.

            Outro dia eu estava numa parada de ônibus de Teresina, o calor típico daqui faz a gente ficar quieto sob uma sombra qualquer. Eu aproveito para ouvir conversas alheias. Você não faz isso? Pois eu faço. Escuto coisas hilárias, deprimentes, comoventes, fofocas e histórias longas, clichês, opiniões interessantes. Eu escuto de tudo.

               Então lá estava eu, um guarda-chuva tentando tapar o sol e livros e calor e o horizonte tremulando e o meio-dia batendo nos sinos longe. Quando me aparece um bando de adolescentes, todos vindos da escola, rindo alto, se empurrando, ouvindo música, abraçados, pulando um no outro, enfim, aquele caos de juventude e displicência. Eis que passa um carro de som (que nesse período eleitoral ocupam mais a cidade que as pessoas) apitando violentamente uma canção irritante implorando que se vote no candidatos Fulano.

               Uma mocinha reagiu:
* Caaaara, é um saco isso, véi! Ficam o tempo todo gritando pra gente votar neles! Vou votar coisa nenhuma, nem tirei título. – e a conversa no grupo iniciou.
     * É, pra que? Esses político (sic) são um pior que o outro, só sabem é roubar dinheiro da gente
    * Mas eles roubam porque a gente deixa! Nem votar tú vai, tem que votar sim! Se deixar de votar, eles vão continuar a roubar.
   * Que a gente deixa? Política é isso! Política é mentir nas eleições e passar quatro anos mamando nas teta (sic) do governo! Deixe de ser besta!
     * E votar em quem? Eu não confio em político, não confio. Vou votar pra que?
    * Pois vota nulo! Ou branco! Sei lá, vota naquele que não dá teu voto pro que tá ganhando.     Vou votar coisa nenhuma, nem é obrigatório mesmo. E se fosse votar, não tem ninguém pra votar.

E meu ônibus chegando encerrou a cena.

 “Quales in republica principes essent, tales reliquos solere esse cives”. A frase do filósofo e político romano Cícero numa tradução simplista seria “tal qual o governo é seu povo”. E é essa frase que me guia na tentativa de compreender a política. Voltei pra casa maquinando sobre o que havia escutado.

Aquelas criaturas, assim como eu, serão os adultos daqui a poucos anos. Nós seremos os braços do Brasil, nós seremos os produtores de riqueza, sustentaremos o país. E ao que me parece, sustentaremos sem saber o porquê ou como seria melhor. A juventude desacreditada da política me parece uma maturidade desnorteada. Nas universidades é notória a apatia política, em grande parte porque ao invés de local para produção do conhecimento, virou palanque e campo de alistamento para militância partidária.

E naquelas palavras que pesquei com tanta atenção reconheço mitos, clichês midiáticos, desilusão com nossa “cultura da corrupção”, ignorância quanto a diferença entre as esferas pública e privada, vejo a tentativa de construir uma identidade “rebelde”, falta de conhecimento histórico. Naquele grupo barulhento eu vi a cara do Brasil em pouquíssimo tempo. E esta cara não é pintada nem de bigodes, é mais uma cara assoviando enquanto o circo pega fogo logo ali.

Temos com nossos representantes um laço, pode ser construído por identificação ideológica, por troca de favores, por reconhecimento do trabalho, por opção partidária, por amizade, há tantas motivos para votar em alguém e cada um deles tem um resultado. Por isso, a fala que mais me intrigou foi “Vou votar coisa nenhuma, nem é obrigatório mesmo. E se fosse votar, não tem ninguém pra votar”. Não acho que seja “errado” pensar assim, não se trata aqui de julgamentos morais de certo ou errado, o que te leva ao inferno ou ao céu. Acho é  perigoso quando se torna massivo.

Que legal se você não vai votar por protesto ou porque não acredita em políticos ou porque tem manicure no dia da eleição. Essa abstenção de participar da política é completamente compreensível. Mas traz a tona o que entendemos por democracia. Queremos a democracia que significa liberdade para participação política de todos os cidadãos ou a que acarreta liberdade para cada um escolher participar ou não e a forma que julga melhor para se inserir na política? E ao que me parece o Brasil ainda não decidiu. Ou talvez viveremos com essa incongruência, aceitando nossa democracia tupiniquim. Só sei que não adianta muito tomar como tipo ideal a democracia americana ou inglesa, ou francesa ou até o modelo socialista que ainda não existiu e ficar cavando buraco n’água. Eu acredito é no trabalho, se temos limões, vamos fazer essa limonada e dar um jeito de melhorar.

 ps: em 2012 as mulheres continuarão a ser maioria no pleito eleitoral. Segundo o TSE seremos 52% dos 140 milhões de eleitores brasileiros. 

terça-feira, 24 de julho de 2012

A culpa é do Fidel! e o recorte feminista.


La Faute à Fidel, impressionantemente o primeiro filme de Julie Lavras, é uma produção encantadoramente bela e traz ao espectador a simples, curiosa e irreverente visão de uma criança (Anna de la Mesa interpretada por Nina Kervel-Bey) em tempos de mudanças domiciliar, familiar e ideológica.

Anna,  francesinha burguesa de apenas 9 anos, levava uma vida tranquila e regrada com sua família num grande apartamento em Paris. A pequena dama adorava as aulas de catequese de sua escola católica e adorava também sua babá cubana, Filomena. Esta a alertava sobre os perigos trazidos pelas ideias de Fidel e seu exército de vermelhos barbudos, ou os comunistas, aqueles que querem tudo de todos.

Mas a vida boa de Anna não resistiu ao tempo de efervescência da década de 70. Tudo começa com a morte de seu tio militante comunista, na luta contra a ditadura espanhola. Após esse episódio, seus pais engajam-se politicamente: o pai com a candidatura de Allende no Chile e a mãe com o movimento feminista.

Típico barbudo a ser temido, ou não, vamos combinar que o cara é charmoso!
O que Anna mais temia, invadiu sua vida. Homens barbudos e mulheres ciganas começaram a frequentar sua casa – que agora não era abastada, mas pequena e sem jardim – e as concepções de mundo da pequena Anna tornam-se confusas. Ela não estava preparada e não aceita tamanhas mudanças. A inocência e, ao mesmo tempo, sabedoria do olhar infantil são um ponto interessante do filme. Os milhões de “porquês?” de criança desarmam a seriedade e inflexão dos adultos e costuram o enredo do filme.

A multiculturalidade, mitologia, ativismo de esquerda e o feminismo são interpretações do mundo que causam estranhamento à Anna, e, como resposta, ela demonstra uma tremenda resistência. Julie Lavras borda em imagens uma revolução pessoal em meio às revoluções do mundo.

O filme aborda marcos históricos como o franquismo, a eleição de Salvador Allende, o golpe militar no Chile em 1973, a Guerra do Vietnã, a Revolução Cultural na China, a Revolução Cubana, e (como Chata, tenho que salientar) o feminismo, que na época estava em sua segunda onda. Podemos salientar,  duas reinvindicações feministas importantes nesse contexto histórico: “Nosso corpo nos pertence” e “O pessoal é político”.

Uma companheira causando
nos anos 70
Esta primeira trata sobre a demanda das mulheres pelo controle de seu próprio corpo e sexualidade, tendo como bandeira principal a legalização do aborto. Achei interessantíssimo La faute à Fidel, tratar de forma privilegiada sobre a temática. Marie, mãe de Anna, em sua militância feminista se dedica ao debate sobre o aborto.

A segunda reinvindicação aparece no filme como crítica a como o feminismo sofre com os resquícios do machismo nos movimentos revolucionários de esquerda. Sem feminismo não há comunismo, diziam as feministas da década de 70. Toda mulher deve ter o direito de se politizar. Quem já assistiu, ou pretende assistir, perceberá a crítica nesse ponto. Mesmo em um cenário libertário, Marie se vê impedida por seu marido de escrever, ou falar, sobre política. A ela, cabe apenas a luta feminista e não a política.

La faute à Fidel é um filme imperdível, não só para os amantes do cinema francês, mas para os apreciadores de cinema ideológico, ou, praqueles que valorizam um filme que instiga e deixa um debate. É belo ver, em um mundo em ebulição, a construção uma identidade, mas, uma construção que ocorre por meio de questionamentos e não por mera aceitação. A sinceridade e curiosidade de uma criança que borboleteia no mundo dos adultos é, de forma lúdica, um tapa na cara dessa nossa sociedade que perpetua preconceitos e tabus.

“Como você diferencia espírito de grupo de comportamento de ovelha?”